Salinas da Margarida sempre presente na história da Bahia

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Falar sobre Salinas da Margarida é narrar uma das mais significativas páginas da história da Bahia. Encravada no Recôncavo com suas terras e manguezais  avançando sobre a Baía de Todos os Santos, Salinas demarca o encontro das águas da “linha assignalada pelo Creador com o maior dos rios que se lança na Bahia de Todos os Sanctos”. O rio “Paraguassú” como aparece nos jornais antigos da nossa Bahia.

digasalinas                                                      Notícia do Jornal “Correio da Bahia” publicada em 1871

Por esse mesmo rio e terras, caminharam os Tupinambás, os africanos escravizados nos engenhos e fazendas, os Caboclos que libertaram a Bahia do jugo português, pescadores, mariscadeiras,  retirantes, estrangeiros, trabalhadores do sal e empresários que transformaram a matéria prima em mercadoria para correr o mundo com o nome das Companhias das Salinas da Margarida.
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Salinas da Margarida, Salinas das Margaridas, Salinas de Margaridas, Ponta das Margaridas, são tantas as denominações que, ao sabor dos falantes, vão ao encontro da própria falta de uma notícia histórica que confirme as raízes do nome. Mas, talvez não importe tanto assim quem foi a Margarida ou quais foram as margaridas que floresceram ao vento morno das salinas.

digasalinas2                                                                          Notícia do Jornal “A Manhã” publicada em 1920

Por mar e rio, os Saveiros, os “Vapores”, as lanchas  e, mais tarde, os navios como o famoso João das Botas transportavam as pessoas e o progresso. Seus sonhos e esperanças que ficaram na memória de muitos como nesse relato de Vivaldo Lima de Magalhães sobre a saudosa lancha Albatroz.
*“A lancha Albatroz já estava ancorada, aguardando o embarque dos passageiros. Eu e o José ficamos na parte superior da embarcação para apreciarmos a paisagem e respirar o ar salitrado da brisa marinha.  O Sol começara a surgir no horizonte e o céu com poucas nuvens, nos proporcionou uma atmosfera agradável, trazendo-nos à alma profunda paz.  O mar muito azul e perfeitamente calmo nos oferecia um espetáculo promovido por um numeroso bando de gaivotas em vôos rasantes e por um grupo de botos, que acompanhava a nossa embarcação durante uma boa parte do trajeto. Da amurada vejo as ondas a se quebrarem, desfazendo-se em branca espuma, na praia deserta distante. Numa ponta de areia vêem-se casas pequenas, de pescadores.

A Albatroz passa próximo à Ilha do Medo. A ilha é uma das menores da Baía de Todos os Santos e pertence ao município e estância hidromineral de Itaparica. Esta ilha encontra-se desabitada até hoje por não dispor de fonte de água doce. No século XIX ela abrigou instalações militares (um quartel) e um hospital para leprosos e partes das ruínas pode ser vistas no local.  Atualmente, a Ilha do Medo é considerada uma Estação Ecológica.”
digasalinas3                                                                        Publicado em “A Notícia” de 1914
Resguardando o romantismo dos passageiros que podiam curtir as belezas do trajeto pela Baía de Todos os Santos, havia certa dureza no cotidiano dos trabalhadores que precisavam embarcar diariamente para sustentar suas famílias vendendo seu quinhão de frutos do mar nas feiras livres de Salvador.
Vejam o que diz o texto dos “Annaes da Camara dos Senhores Deputados do Estado Federado da Bahia” de 1894, referente à fala do Deputado Francisco Bulcão sobre o transporte marítimo na Baía de Todos os Santos:
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Salinas também é notícia nos jornais da Bahia antiga pela participação dos seus cidadãos na vida social do Recôncavo. Autoridades, funcionários públicos de certa importância no contexto da hierarquia da época e mesmo pessoas comuns que se faziam suas “fezinhas” nas loterias,  figuravam nas páginas das “Gazetas” que circulavam pela Bahia.
digasalinassalinas                  Divulgação de prêmio ganho pelo Sr. Manoel da Annunciação, Residente em Salinas da Margarida, em 1927. – Jornal “O Combate”.

dig                                                                   Jornal “A Manhã” 1920
Segundo Rosana Costa Gomes, em seu trabalho de pós-graduação intitulado **“A vida no vai-e-vem das águas: mulheres marisqueiras de Salinas da Margarida, trabalho, cultura e meio ambiente, pela Uneb, “O mar, como patrimônio comum, é palco da permanência dessas famílias que vivem dos mariscos. É no espaço das areias das praias embebidas pelas lamas dos manguezais, que elas se lançam vivificando uma tradição que lhes foi passada por gerações de outrora.”
As matérias dos jornais antigos podem ser encontradas na Biblioteca Nacional Digital Brasil. –  * Citação de Para ler e pensar – ** Tese de Mestrado da Professora Rosana.
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