Salinas da Margarida completa 51 anos de emancipação política

salinas da margarida

Segundo o historiador Almir de Oliveira, em seu livro Salinas da Margarida – Notícias Históricas. (Araguari – MG: Minas Editora, 2000), com a instalação, em 1560, de um estabelecimento religioso na Ilha de Itaparica, pelos padres da Companhia de Jesus, teve início o processo de colonização da área, na qual o município de Salinas da Margarida está inserida. Em 1620 foi edificada uma capela consagrada a N. S.ª da Encarnação, no hoje povoado do mesmo nome. É o primeiro sinal do civilizador em terras salinenses.

No ano de 1717, por iniciativa do Arcebispo Dom Sebastião Monteiro da Vide, foi criada a Freguesia de N. S.ª da Madre de Deus da Pirajuía, na qual a localidade é incluída. Um relatório eclesiástico redigido entre 1755/57 deixa transparecer a diminuta ou quase inexistente população da área. Em termos políticos e administrativos as terras estavam integradas à Vila de Jaguaripe.

Até a instalação da empresa que iniciou o aproveitamento do sal marinho na região, a Ponta da Margarida, hoje a sede municipal, era também um lugar desconhecido. Os poucos núcleos habitacionais existentes em suas proximidades se concentravam na Barra do Paraguaçu, de um lado, e Encarnação, do outro.

A Companhia Salinas da margarida

A partir de 1877, entretanto, graças à tenacidade, visão comercial e capacidade empresarial de dois grandes homens, os Comendadores Manoel de Sousa Campos e Horácio Urpia Júnior, a localidade passou a ser das mais conhecidas e prósperas do Estado da Bahia. Com a constituição, em 1891, da Companhia Salinas da Margarida, o quadro se inverteria radicalmente, a ponto da região vir a adotar o próprio nome do empreendimento. Suas terras foram demarcadas, no alvorecer do século XX, pelo engenheiro Alberto Flyerrowsky e as plantas das salinas elaboradas pelo engenheiro militar Augusto dos Santos Moreira.

Objetivando facilitar os seus negócios, o Comendador Campos envidou esforços e conseguiu transferir, em 15 de janeiro de 1901, a jurisdição da área para o município de Itaparica, passagem obrigatória para Salvador. O progresso então verificado foi algo fantástico, tornando o nome da localidade conhecido nacional e internacionalmente. A qualidade do sal produzido permitiu à Companhia Salinas da Margarida conquistar, entre outros prêmios, a Medalha de Ouro, em 1908, na Exposição Nacional realizada no Rio de Janeiro, então capital da República.

Tão próspero se tornou o novo distrito de Itaparica que, em 16 de abril de 1914, o Arcebispo da Bahia, Dom Jerônimo Tomé da Silva, baixou portaria elevando à dignidade de Matriz a Igreja de N. S.ª do Carmo, transferindo a sede da freguesia da Senhora Madre de Deus da Pirajuía e alterando sua denominação para Freguesia de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Salinas da Margarida.

Estação de rádio durante a guerra

Em 1943, durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, Salinas da Margarida abrigou a estação de rádio PWF-4, cuja finalidade primeira era detectar e localizar possíveis estações transmissoras móveis dos países do Eixo. Em 1969 a mesma foi desativada e os equipamentos transferidos para a Base Naval de Aratu, em Salvador.

A emancipação em 27 de julho de 1962

Com o declínio da produção salineira (em 1956 foram produzidas apenas 20 toneladas), e o descaso a que Itaparica relegou seu outrora próspero distrito, teve início a campanha emancipacionista, à frente da qual esteve Manoel Dias de Albuquerque, que levou a idéia ao Padre Luís Soares Palmeira, então Deputado Estadual. O parlamentar apresentou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 1945/62, que criava o município de Salinas da Margarida, desmembrado do de Itaparica. Em 27 de julho de 1962 o mesmo foi aprovado e transformou-se na Lei 1755/62, a qual, sancionada pelo governador Juraci Montenegro Magalhães, foi publicada no Diário Oficial do Estado, edição de 31 de julho. Em 7 de outubro do mesmo ano foram realizadas eleições e Manoel Dias de Albuquerque tornou-se o primeiro prefeito municipal, sendo efetivamente empossado no dia 14 de abril de 1963.

Salinas

Vida de sal e sol
que adentra a aurora
e o mar sereno.
Vida que imprime o rumo,
que infla o pano,
que apruma o leme
e deixa ao vento
as sinas soltas sobre a espuma.
Vida de pescador
que na bruma leve
carrega o barco ligeiro
nas águas plácidas das Salinas.
Vida de coragem, orgulho e fé;
de ver no mar a mãe que ensina,
mãe que cuida, mãe menina.
Vida de pescador.
Vida de todos os sonhos e conquistas,
Vida vivida, atrevida
Docevida,
Margarida.

por Sérgio Araújo

Hino de Salinas da Margarida
Letra: Jairo Almeida de Cerqueira

Salinas da Margarida

Brilha o sol sobre o mar onde a natureza é querida
Em teus trilhos o sal, oh riqueza tão nobre e esquecida.

Salinas da Margarida

O ouro sal já não há, mais é pura e saudável a vida
A pesca sempre a ajudar melhorando a vida sofrida.

Salinas da Margarida

Itaparica a ti sufocar, mas com luta as amarras partidas
A liberdade ecoou pelos rios mares e Campinas.

Salinas da Margarida

O progresso expande este mar e a esperança no peito ensina
A ter fé e acreditar num futuro melhor pra Salinas.

Salinas da Margarida

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