Literatura e filosofia nas “Percepções de um corvo eremita”, de Jairo Cerqueira

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A alma literária de Jairo Cerqueira encontra em Salinas da Margarida o locus ideal para o desenvolvimento de uma narrativa antropomórfica num diálogo criativo entre a realidade, como dicotomia e perspectiva e a poética das coisas do mar e das memórias construídas entre dois azuis.

Em “Percepções de um corvo eremita”, o apolíneo e dionisíaco “Emilho” diante do poder de ver sem os filtros ou camadas que camuflam uma realidade enganadora e fugaz, “(…) perplexo, mergulhou num oceano de dívidas. Pôs-se a pensar sobre a cruz para os que temem a vida e claudicou ante a ideia de Super Corvo”.

Começo a ler o livro de Jairo com um olhar de poeta e filósofo. Posto que a leitura reconstrói a obra na perspectiva do leitor e sua idiossincrasia, ler as “percepções” é mergulhar no poço de nós mesmos e deixar florescer o espanto ante o eterno retorno e a solidão do corvo.

Como nos fala o próprio autor: “os anseios de Emilho farão com que ele busque transformar a realidade mórbida vivida na árvore em que habita, por uma vida mais digna”.

Parabéns a Jairo Cerqueira pela concretização de um sonho que é compartilhado por todos nós, escribas, e meus agradecimentos pela dedicatória que humildemente e orgulhosamente aceito. Obrigado, Jairo, pelo livro, pela obra, pela amizade e pela dialética em nossa “Academia” da vida e das artes.

Sérgio Araújo

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