Codó da Bahia: “O homem que não sabe ler, não existe!”

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“A gente precisa atravessar essa Bahia, e chegar lá, por que lá é que está o estudo” Se estivesse vivo, Codó completaria 100 anos em 2013

Digasalinas inaugura uma série de reportagens sobre cultura em Salinas da Margarida. Terra fértil em artistas que tanto no passado como no presente, elevaram e elevam o nome da nossa terra, produzindo beleza e semeando poesia.

Para começar, Clodoaldo Brito ou como era internacionalmente conhecido: Codó da Bahia. Pescador no Cairu; compositor e violonista no mundo inteiro.

“Repórter dia-a-dia do povo, compositor de fôlego e, acima de tudo, um romântico. Assim é Clodoaldo de Brito – Codó, baiano de arraial de Cairu de Salinas da Margarida, onde nasceu em 18 de Setembro de 1913, o mesmo ano em que nasceram dois monstros sagrados da cultura popular brasileira, Ciro Monteiro e Vinicius de Morais.

Antes de ser músico foi pescador e o seu primeiro instrumento foi uma viola que ele mesmo fez aos nove anos com tábuas de caixote de querosene e cordas de piaçava.

Aos 10 anos aprendeu cavaquinho e com 17 animava as festinhas de sua cidade.

Músico já conhecido na Bahia, nos anos 30, começou a trabalhar em rádio, em Salvador: rádio comercial, rádio clube, onde conheceu Caymi, e rádio sociedade, onde era ouvido por Caetano, Gil, Antônio Carlos e Jocafi, influenciando, de alguma forma, a música dos baianos.

Em 1951, lançou “Zum, Zum” (zum, zum, zum, capoeira mata um…), gravado por Vanja Orico no Brasil e, logo em seguida na Alemanha.

Ainda em 1951, compôs “Iaiá de Bahia” feita especialmente para o filme argentino Maria Madalena e posteriormente gravada por Aracy Costa.

Suas músicas de maior sucesso, ale de “Zum, zum” são “Taiti”, gravada por Rosinha de Valença na Alemanha, e “Tim dom dom”, que Jorge Bem tornou famosa e que faz parte do LP Brasil 66 de Sérgio Mendes e, hoje, com mais de 40 gravações em todo o mundo. Aliás, essa música, feita em parceria com João Mello, chegou ao terceiro lugar no “Hit-Parade” americano na época de seu lançamento.

Ao todo Codó possui mais de 90 músicas gravadas no Brasil por Jorge Bem, Nara Leão, Sérgio Mendes e Elizeth Cardoso, entre outros e gravou, ele próprio oito LPs e compactos, sempre ao lado de músicos renomados e cantores de primeira linha.

Este LP não poderia fugir a regra a seu lado estão o ótimo violão de Carlinhos Codó, músico, professor de violão, arranjador, e a bela voz de Nalvinha, dois de seus filhos, sem contar o verdadeiro esquadrão de músicos que os acompanham.

Este é Codó, compositor, músico, arranjador, cantor, cantador e encantador. Um artista completo, dono de uma sensibilidade forte e marcante.

É com essa sensibilidade que mostra através de sua arte, toda a grandeza de sua alma.”

(Gilberto Gil se referindo à época que ele tinha entre 18 e 19 anos de idade, na Bahia):

Pedi à minha mãe e ela mandou dinheiro para comprar um violão. Comprei pela manhã e, de tarde, peguei uma lancha para ir veranear em Salinas. Era época de férias já, e quem encontro na lancha? O Clodoaldo Brito, Codó, que me viu com aquele violão. Eu já conhecia o Codó da Rádio Sociedade da Bahia, sabia que era um grande violonista. Enfim, ele me pediu o violão e afinou. Codó foi a primeira pessoa a afinar pela primeira vez meu violão!”

Gilberto Gil, 1992.

“Escola Municipal Clodoaldo Brito, localizada no Cairu de Salinas recebeu o nome do artista em homenagem à representatividade que ele teve para a região.DSCF0877

A família de Codó tem grande satisfação em ter uma escola municipal que leva o nome do artista, reafirmando sua importância não só para a música popular brasileira, como para a região de Cairu, terra natal de Codó e onde ele fez grande contribuição para o desenvolvimento e estruturação acadêmica, ainda na década de 1950.”

 

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“Segundo relatos da família, amigos e moradores da região contemporâneos do artista, foi Codó quem levou a 1º professora para o Cairu, a professora “Dona Estelita”, que era de Salvador e foi trazida por Codó para proporcionar a educação fundamental para os moradores de Cairu.”

 

Fonte: http://clodoaldobrito.blogspot.com.br/ (Blog dedicado a Codó).

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