Arquiteto defende construção de porto em Salinas da Margarida

salinas da margaridaO arquiteto e professor da UFBA, Paulo Ormindo de Azevedo, defende o seu ponto de vista sobre a disputa para o governo da Bahia e os projetos dos candidatos a candidatos envolvendo a Baía de Todos-os-Santos neste artigo intitulado “O porto ou a Ponte, esta é a questão. Leia o artigo:

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“Não é preciso ser cartomante para prever que a sucessão baiana será polarizada por dois projetos. De um lado o chamado Sistema Viário do Oeste – SVO, defendido pelo secretario e candidato Sérgio Gabrielli, que inclui a ponte Salvador-Itaparica como alternativa ao mal gerido ferryboat, e de outro a criação de um novo complexo portuário-industrial na Baia de Todos os Santos, advogado por dois profissionais independentes.

O SVO poderia ser chamado de Sistema Rodoviário da Costa do Dendê, já que a produção do oeste baiano de graneis agrícolas e minerais não pode ser exportada pelo porto de Salvador, que só opera contêineres, nem competir economicamente com o sistema Fiol – Porto Sul. Mesmo como sistema turístico litorâneo ele é dispensável, pois Ilhéus irá receber porto e aeroporto modernos e será mais atrativo acessar Itacaré e Barra Grande através da vizinha Ilhéus que do SVO. Projeto que ao revés marginalizaria o Recôncavo, com seu rico potencial turístico e náutico.

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O novo porto a ser construído na Baia de Todos os Santos, ao contrario do SVO, alavancaria o desenvolvimento de todo o estado competindo com grandes portos, como os de Rio Grande, Açu no Rio, Tubarão e Ubu no Espírito Santo, Suape em Pernambuco e Pecém, no Ceará. O nosso levaria vantagem sobre os demais por ser o único em águas abrigadas e um dos mais profundos (21m). Mas sua localização comporta duas alternativas.

A primeira delas seria em Salinas da Margarida, em frente ao Canal de Itaparica. Este porto faria parte do Sistema Envolvente da Baia, a via rodoferroviária que se inspirou na rede de integração dos núcleos industriais da Baia de Todos os Santos, prevista em 1963 pelo Plano Diretor do Centro Industrial de Aratu. Este sistema contaria com uma variante cenográfica, já em parte construída, de grande apelo turístico.

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Venho avaliando o porto de Salinas há algum tempo e lancei suas bases em artigo neste jornal em 29/09 e conferencia na Associação Comercial da Bahia, em 10/10/1913. Naquele local há condições excepcionais para instalação de um complexo portuário-industrial semelhante ao de Suape, com atracadouro de 21 m de calado, podendo chegar a 26 m, extensa planície costeira para instalação de indústrias e articulação com as ferrovias Centro-Atlântica, Fiol e nova ligação ferroviária Belo Horizonte-Recife.

Muito próximo, temos água abundante de Pedra do Cavalo, gás da bacia de Camamu e energia de um parque eólico a ser construído nos tabuleiros vizinhos. Esta seria obra de baixo impacto ambiental, pois seria executada em píer que se articularia com a contra-costa de Itaparica, reduzindo em dois terços o percurso por terra à ilha. Projeto que não prejudicaria a paisagem nem a navegabilidade na Baia de Todos os Santos. O Sistema Salinas – Envolvente tem muito melhor custo-beneficio que as pontes propostas e maior capacidade de captar financiamento de fontes diversificadas. Sua construção pode ser atacada em varias frentes para ser concluída dentro do prazo de uma administração estadual.

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A segunda alternativa, defendida pelo Arq. Lourenço Valladares, seria um porto em uma ilha artificial em meio a Baia de Todos os Santos ligada a Aratu e à Itaparica através de pontes baixas de 20 km de extensão e túnel sob a baia de 4 km. Esta é uma solução viária que evitaria o impacto do trafego de passagem em Salvador e permitiria o livre transito de carros, trens e navios ao eliminar o vão móvel defendido por Gabrielli. É a mesma solução adotada entre a Dinamarca e Suécia, no estuário de Chesapeak, nos Estados Unidos, e na baia de Tóquio. Este sistema também não beneficiaria o Recôncavo tradicional, teria impacto ambiental e custos muito elevados.

Com o porto de Salinas todos ganhariam: as indústrias de Aratu que não teriam que franquear seus terminais a novos usuários, o Tecon que não teria que dormir com um rival, e a Bahia que atrairia novos exportadores-importadores e indústrias. Mas ele precisa ser discutido e avaliado como projeto de Estado, antes de qualquer precipitação eleitoral. Esta, creio, será a bandeira da maioria dos candidatos”.

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